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Câncer de próstata: o que é, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

O câncer de próstata é o tipo de tumor maligno mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele não melanoma. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados mais de 71 mil novos casos no Brasil no triênio de 2023-2025, o que reforça a importância de campanhas de conscientização como o Novembro Azul, voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce dessa doença.

A próstata é uma glândula exclusiva do sistema reprodutor masculino, localizada logo abaixo da bexiga e à frente do reto. Sua principal função é produzir o fluido prostático, que compõe o sêmen e fornece nutrientes e proteção aos espermatozoides. Apesar de pequena — com tamanho aproximado de uma noz —, a próstata tem papel essencial na fertilidade masculina.

Com o avanço da idade, é comum que a glândula aumente de tamanho, o que pode causar desconforto urinário e, em alguns casos, estar associado ao desenvolvimento de doenças como a hiperplasia prostática benigna e o câncer de próstata.

O que é o câncer de próstata

O câncer de próstata ocorre quando as células dessa glândula passam a se multiplicar de forma desordenada, formando um tumor que pode crescer localmente e, em estágios mais avançados, se espalhar para outros órgãos — processo conhecido como metástase.

Na maioria dos casos, o tumor tem crescimento lento e pode levar anos para apresentar sintomas perceptíveis. Isso faz com que muitos diagnósticos ocorram apenas em estágios mais avançados da doença. Entretanto, há também formas mais agressivas do câncer de próstata, capazes de se disseminar rapidamente e representar maior risco à saúde.

O desenvolvimento do câncer está relacionado a mutações genéticas nas células prostáticas, que alteram o ciclo natural de renovação celular e resultam em proliferação descontrolada.

Causas e fatores de risco

O câncer de próstata é considerado uma doença multifatorial, ou seja, resulta da interação entre fatores genéticos, hormonais e ambientais. Alguns elementos, no entanto, são reconhecidos como principais fatores de risco:

  • Idade: cerca de 75% dos casos ocorrem em homens com mais de 65 anos, tornando a idade o fator isolado mais importante.
  • Histórico familiar: ter um parente próximo diagnosticado com câncer de próstata aumenta em até três vezes o risco de desenvolver a doença.
  • Origem étnica: homens negros apresentam maior incidência e mortalidade associadas, possivelmente por fatores genéticos e desigualdade no acesso à saúde.
  • Estilo de vida: obesidade, tabagismo, sedentarismo e alimentação rica em gorduras saturadas e carnes vermelhas também estão associados a maior risco.
  • Fatores hormonais: níveis elevados de testosterona podem influenciar no crescimento das células prostáticas.

A compreensão desses fatores reforça a importância da prevenção primária, baseada em hábitos saudáveis e consultas médicas regulares.

Sinais e sintomas

Nos estágios iniciais, o câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas específicos. Por isso, é uma doença silenciosa, o que dificulta a detecção precoce. Quando os sintomas aparecem, costumam estar associados à compressão da uretra — canal que transporta a urina — pelo crescimento da glândula.

Os principais sinais que podem surgir incluem:

  • Dificuldade para urinar ou sensação de esvaziamento incompleto da bexiga;
  • Jato urinário fraco ou interrompido;
  • Necessidade frequente de urinar, especialmente à noite;
  • Dor ou ardor ao urinar;
  • Presença de sangue na urina ou no sêmen;
  • Dor óssea (nos casos em que há metástase).

Como esses sintomas podem ser confundidos com outras condições, como infecções urinárias ou hiperplasia prostática benigna, é fundamental buscar avaliação médica diante de qualquer alteração urinária persistente.

Diagnóstico

O diagnóstico precoce é a melhor forma de combater a doença. Por isso, é importante que os homens mantenham acompanhamento regular com o urologista, especialmente após os 50 anos. Para aqueles com casos na família, o recomendado é a partir dos 45 anos — ou aos 40 anos para aqueles com casos de histórico familiar mais extenso ou múltiplos fatores de risco.

Os principais exames utilizados para detecção do câncer de próstata são:

  • Toque retal: permite ao médico avaliar o tamanho, forma e consistência da próstata. Apesar de ser um exame simples e rápido, ainda enfrenta tabus, o que contribui para o atraso no diagnóstico.
  • Dosagem do PSA (Antígeno Prostático Específico): exame de sangue que mede a concentração dessa proteína produzida pela próstata. Níveis elevados podem indicar inflamação, hiperplasia ou câncer, exigindo investigação complementar.

Se houver alterações nesses exames, o médico pode solicitar:

  • Ultrassonografia transretal ou ressonância magnética da próstata para avaliação detalhada da glândula;
  • Biópsia prostática, que consiste na retirada de pequenas amostras de tecido para análise histopatológica, confirmando ou descartando o diagnóstico de câncer.

Esses exames também ajudam a definir o estágio do tumor e orientam a escolha do tratamento mais adequado.

Tratamento e cuidados

A escolha do tratamento depende de fatores como estágio do câncer, idade, condição clínica e preferência do paciente. Em casos iniciais, quando o tumor é localizado e de baixo risco, pode ser indicada a vigilância ativa, ou seja, o monitoramento periódico com exames, sem intervenção imediata.

Outras opções terapêuticas incluem:

  • Cirurgia (prostatectomia radical): retirada completa da próstata, indicada principalmente para tumores localizados.
  • Radioterapia: destrói as células cancerosas por meio de radiação direcionada, podendo ser usada isoladamente ou após a cirurgia.
  • Terapia hormonal (bloqueio androgênico): reduz os níveis de testosterona, que estimulam o crescimento do tumor. É mais comum em casos avançados ou metastáticos.
  • Quimioterapia: indicada em situações de resistência à terapia hormonal ou doença disseminada.

Nos últimos anos, tratamentos minimamente invasivos e terapias-alvo têm ampliado as opções disponíveis, com foco na preservação da qualidade de vida.

Além das abordagens médicas, é fundamental manter hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividades físicas e controle do peso corporal. Essas medidas auxiliam na recuperação e reduzem o risco de recidiva.

Prevenção

A prevenção do câncer de próstata envolve duas frentes principais:

  1. Prevenção primária: adoção de estilo de vida saudável, com alimentação rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e peixes. Reduzir o consumo de álcool e evitar o tabagismo também são atitudes que diminuem o risco.
  2. Prevenção secundária: realização periódica de exames preventivos (toque retal e PSA), conforme a idade e histórico familiar.

O acompanhamento médico regular permite identificar alterações ainda em estágios iniciais, quando as chances de cura ultrapassam os 90%.

Quando procurar um médico

Homens com sintomas urinários persistentes, histórico familiar da doença ou com mais de 50 anos devem procurar o urologista para avaliação.
O diagnóstico precoce salva vidas. Superar o preconceito com os exames é parte essencial dessa jornada de cuidado.

Referências

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