O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo, sendo também a principal causa de morte por câncer nesse grupo. Embora raro, também pode acometer homens. Apenas em 2025, o Brasil deve registrar cerca de 73.610 novos casos da doença, que provocou mais de 20 mil mortes em 2023, com maior incidência nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste do país.
O controle e a redução da mortalidade dependem principalmente do diagnóstico precoce e do acesso rápido a tratamentos comprovados. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de cura e menores as sequelas físicas e emocionais.
O que é o câncer de mama
O câncer de mama é caracterizado pela multiplicação desordenada de células anormais no tecido mamário, formando um tumor maligno com potencial de invadir tecidos vizinhos e se espalhar para outros órgãos (metástase).
O tipo mais comum é o carcinoma ductal invasivo, que se origina nos ductos responsáveis por levar o leite até o mamilo. Existem também subtipos menos frequentes, como o carcinoma lobular, que se forma nos lóbulos mamários.
A doença pode se manifestar tanto em mulheres quanto em homens, mas é muito mais frequente no sexo feminino, devido à influência hormonal e à maior quantidade de tecido mamário. Além disso, o risco aumenta conforme a idade, especialmente após os 50 anos.
Embora seja uma condição grave, o câncer de mama tem tratamento eficaz e, quando diagnosticado precocemente, apresenta índices de cura superiores a 90%.
Causas e fatores de risco
As causas exatas do câncer de mama ainda não são totalmente compreendidas, mas sabe-se que há uma combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais envolvidos no seu desenvolvimento.
Entre os principais fatores de risco estão:
- Idade: o risco aumenta significativamente após os 50 anos.
- Histórico familiar: ter mãe, irmã ou filha com câncer de mama ou de ovário eleva o risco.
- Mutação genética: alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 estão associadas a maior predisposição.
- Exposição prolongada a hormônios femininos: menarca precoce (antes dos 12 anos), menopausa tardia (após os 55) ou uso prolongado de terapias hormonais.
- Obesidade e sedentarismo: o excesso de gordura corporal eleva os níveis de estrogênio, estimulando o crescimento celular.
- Consumo de álcool: mesmo pequenas quantidades regulares aumentam o risco.
- Primeira gestação tardia ou ausência de filhos: fatores ligados ao estímulo hormonal contínuo.
Por outro lado, alguns fatores protetores ajudam a reduzir o risco da doença, como a prática regular de atividade física, a amamentação, a alimentação equilibrada e a manutenção do peso corporal adequado.
Segundo o INCA, até 17% dos casos de câncer de mama poderiam ser evitados com a adoção de hábitos de vida saudáveis.
Sinais e sintomas
O sintoma mais comum do câncer de mama é o nódulo (caroço) endurecido, geralmente indolor, percebido durante o autoexame ou por acaso. No entanto, a presença de um caroço não significa necessariamente câncer — apenas uma avaliação médica pode confirmar o diagnóstico.
Outros sinais que exigem atenção incluem:
- Alterações na forma, tamanho ou simetria das mamas;
- Retração da pele ou do mamilo, conferindo aspecto de “casca de laranja”;
- Secreção pelo mamilo, especialmente se houver sangue;
- Feridas, crostas ou lesões na aréola ou no mamilo;
- Inchaço em parte da mama ou na axila;
- Mudança na coloração da pele, tornando-a avermelhada ou endurecida;
- Presença de ínguas (gânglios aumentados) na axila.
O autoexame das mamas é uma ferramenta importante de autoconhecimento corporal. Ele não substitui o exame clínico ou a mamografia, mas ajuda a identificar alterações que devem ser investigadas.

Diagnóstico
O diagnóstico do câncer de mama começa com a avaliação clínica realizada pelo profissional de saúde. Caso haja suspeita, o médico solicita exames de imagem, como mamografia, ultrassonografia e, em alguns casos, ressonância magnética.
A mamografia é o principal método de rastreamento e deve ser realizada, conforme o Ministério da Saúde, por mulheres de 50 a 74 anos a cada dois anos, mesmo sem sintomas.
Em 2024, o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias, sendo 2,6 milhões em mulheres na faixa etária prioritária, o que representa um avanço importante no rastreamento populacional.
Quando há suspeita de malignidade, realiza-se a biópsia — exame que analisa o tecido da lesão ao microscópio e confirma o diagnóstico.
Após a confirmação, outros exames como tomografia, cintilografia óssea e exames laboratoriais ajudam a determinar o estadiamento, ou seja, a extensão da doença, etapa essencial para definir o melhor plano terapêutico.

Tratamento e cuidados
O tratamento do câncer de mama depende do tipo histológico, do tamanho do tumor, da presença de metástases e das condições clínicas da paciente.
As principais modalidades incluem:
- Cirurgia: pode ser conservadora (retirada apenas da área afetada) ou radical (retirada total da mama). Em muitos casos, há possibilidade de reconstrução mamária imediata.
- Radioterapia: indicada após a cirurgia para eliminar células residuais.
- Quimioterapia: utiliza medicamentos para destruir células cancerosas e pode ser feita antes (neoadjuvante) ou depois da cirurgia (adjuvante).
- Hormonioterapia: indicada para tumores que dependem de hormônios femininos para crescer.
- Terapias-alvo e imunoterapias: novas modalidades que agem de forma mais específica sobre as células tumorais.
Em 2025, o Brasil atualizou o protocolo nacional de tratamento, incorporando terapias modernas, como os inibidores de CDK 4/6 e o trastuzumab entansina, além de ampliar o acesso à reconstrução mamária pelo SUS e aos procedimentos minimamente invasivos.
O tratamento multidisciplinar, envolvendo médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e enfermeiros, é fundamental para o cuidado integral. O suporte psicológico, o controle da dor e a reabilitação física contribuem para a qualidade de vida durante e após o tratamento.
Quando detectado precocemente, o prognóstico é altamente favorável. A taxa de cura ultrapassa 90% nos casos iniciais, reforçando a importância do rastreamento regular e da conscientização sobre os sinais de alerta.
Conclusão
O câncer de mama continua sendo um dos maiores desafios da saúde pública no Brasil, mas os avanços no diagnóstico e nas terapias têm proporcionado maior sobrevida e melhor qualidade de vida às pacientes.
A informação correta, o acesso aos exames preventivos e o tratamento oportuno são as principais armas para reduzir a mortalidade e enfrentar a doença com esperança e segurança.
Cuidar da saúde mamária é um ato de autocuidado e prevenção que salva vidas.
Referências
Ministério da Saúde. Câncer de mama. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-mama. Acesso em: 4/12/2025.
Ministério da Saúde. Ministério da Saúde e INCA apresentam publicação com dados atualizados sobre câncer de mama no Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/outubro/ministerio-da-saude-e-inca-apresentam-publicacao-com-dados-atualizados-sobre-cancer-de-mama-no-brasil. Acesso em: 4/12/2025.
Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). Diretrizes 2025. Disponível em: https://sboc.org.br/diretrizes2025. Acesso em: 4/12/2025.
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