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A dengue é uma doença infecciosa causada por vírus da família Flaviviridae, transmitida principalmente pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Existem quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4); por isso, quem já teve dengue pode adoecer novamente por outro sorotipo, com maior risco de formas graves em reinfecções. Em 2025, o Brasil registrou um aumento expressivo de casos de dengue, com circulação predominante de DENV-1 e DENV-2 e reintrodução do DENV-3 em alguns estados. Esse cenário intensifica a importância da vigilância epidemiológica, do monitoramento sorotípico e das medidas preventivas.

O Aedes aegypti tem hábitos urbanos, deposita ovos em recipientes com água parada (caixas d’água destampadas, calhas, pneus, pratinhos de plantas, lixo) e pica mais durante o dia. Após sugar o sangue de uma pessoa na fase inicial da doença, a fêmea pode se infectar e transmitir o vírus em picadas subsequentes. Estudos recentes mostram que ovos do Aedes podem sobreviver por meses em ambiente seco e o mosquito vem se adaptando a áreas antes menos favoráveis, inclusive mais frias, exigindo ações permanentes de controle também fora do verão.

Causas e fatores de risco

A causa é a infecção pelo vírus da dengue após a picada do Aedes infectado. Não há transmissão direta de pessoa para pessoa. Alguns contextos elevam o risco:

  • Água parada e ambiente urbano: recipientes destampados e descarte inadequado de resíduos favorecem o ciclo do vetor.
  • Clima e sazonalidade: calor e chuvas aceleram o desenvolvimento do mosquito e aumentam sua densidade.
  • Saneamento e urbanização: abastecimento irregular de água e coleta de lixo deficiente criam criadouros.
  • Histórico imunológico: infecção prévia por um sorotipo pode aumentar o risco de gravidade numa nova infecção por outro sorotipo, por mecanismos imunológicos.
  • Mobilidade: viagens para áreas endêmicas e co-circulação de sorotipos ampliam a chance de exposição.

Grupos que vivem em áreas densamente povoadas e com infraestrutura limitada tendem a estar mais expostos, assim como crianças, idosos e pessoas com condições crônicas, que merecem atenção extra.

Sinais e sintomas

O período de incubação geralmente varia de 4 a 10 dias após a picada infectante. A apresentação clínica é ampla: parte das infecções é assintomática, e os casos sintomáticos variam de quadros leves a doença grave. Sinais comuns incluem:

  • Febre alta de início súbito (geralmente >38 °C), durando de 2 a 7 dias;
  • Cefaleia intensa, dor retro-orbital, mialgia e artralgia;
  • Cansaço, náuseas e vômitos;
  • Exantema (manchas avermelhadas na pele).

A OMS classifica a doença em dengue (sem ou com sinais de alarme) e dengue grave. Os sinais de alarme tendem a surgir quando a febre começa a ceder (entre o 3º e o 7º dia): dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura ou desmaio, sangramentos (gengiva, nariz, urina, fezes ou vômitos com sangue), irritabilidade, sonolência excessiva, respiração acelerada, pele fria e úmida. A dengue grave está associada a vazamento de plasma, acúmulo de líquidos, sangramento importante e/ou comprometimento de órgãos, podendo evoluir para choque. Importante: as complicações podem ocorrer mesmo na primeira infecção, embora sejam mais frequentes em reinfecções.

Evite anti-inflamatórios não esteroides (ex.: ibuprofeno) e ácido acetilsalicílico (AAS) sem orientação, pois aumentam o risco de sangramento. Para dor e febre, prioriza-se paracetamol ou dipirona conforme recomendação profissional.

Diagnóstico

O diagnóstico é inicialmente clínico-epidemiológico, considerando sintomas, exame físico e o contexto local. Laboratórios têm adotado, como padrão, testes combinados no início dos sintomas (1º ao 5º dia): NS1 (antígeno) associado ao RT-PCR para detecção do vírus. A partir do 6º dia, a sorologia (IgM/IgG) ajuda a confirmar infecção recente ou contato prévio. O hemograma auxilia no acompanhamento (trombocitopenia e alterações do hematócrito) e estratificação de risco.

Em regiões com co-circulação, o diagnóstico diferencial com zika e chikungunya é essencial para orientar o manejo, o aconselhamento e o seguimento adequados (por exemplo, em gestantes ou em pacientes com artralgias intensas).

Tratamento e cuidados

Não há antiviral específico para dengue. O tratamento é de suporte, com foco em hidratação, controle de sintomas e vigilância de sinais de alarme.

  • Hidratação vigorosa: água, soluções de reidratação, sucos e caldos conforme tolerância. Em casos com vômitos persistentes ou sinais de alarme, pode ser necessária hidratação intravenosa em unidade de saúde.
  • Repouso e alimentação leve**:** respeitar o apetite e evitar esforços.
  • Analgésicos/antitérmicos adequados: paracetamol ou dipirona, conforme orientação médica; evitar AAS e AINEs.
  • Monitoramento clínico: retornos programados, principalmente na fase de defervescência, quando podem surgir complicações.

A fase crítica da dengue ocorre geralmente entre o 3º e o 7º dia de doença, quando a febre desaparece. Nessa fase, é essencial manter hidratação adequada e acompanhamento médico, inclusive domiciliar orientado, para prevenir complicações. Recomendações recentes reforçam a reposição oral precoce de fluidos sob supervisão profissional e, quando indicado, hidratação venosa cuidadosamente titulada em ambiente hospitalar, com monitorização de sinais vitais, hematócrito e plaquetas.

Quando procurar atendimento

Busque atendimento se houver suspeita de dengue (febre alta, dor intensa no corpo/cabeça, náuseas, manchas na pele, dor atrás dos olhos), especialmente em crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas. Procure serviço de urgência imediatamente diante de sinais de alarme: dor abdominal contínua, vômitos persistentes, sangramentos, tontura/desmaio, respiração acelerada, sonolência ou irritabilidade marcantes.

Prevenção

A prevenção é a estratégia mais eficaz contra a dengue e depende de ações individuais, comunitárias e de saúde pública:

  • Eliminar criadouros: esvaziar e escovar recipientes com água; manter caixas d’água tampadas; limpar calhas; descartar pneus/entulho corretamente; colocar areia nos pratinhos de plantas; higienizar bebedouros de animais.
  • Proteção individual: usar repelentes registrados (seguindo orientações do rótulo, especialmente em crianças e gestantes), roupas que cubram braços e pernas, telas em portas e janelas.
  • Vigilância contínua: devido à adaptação do Aedes a temperaturas mais baixas e à sobrevivência prolongada dos ovos em ambientes secos, o controle deve ocorrer o ano inteiro, não apenas no verão.
  • Engajamento comunitário: mobilizações locais, denúncia de focos e participação em ações da vigilância ambiental reduzem a densidade do vetor.

Vacinas

  • Dengvaxia® (CYD-TDV): indicada apenas para pessoas com infecção prévia confirmada, pois seu uso em soronegativos eleva o risco de hospitalização em infecção subsequente.
  • Qdenga® (TAK-003): vacina tetravalente com duas doses (intervalo de três meses), eficaz na redução de casos e hospitalizações. Desde 2024, o Ministério da Saúde incorporou a Qdenga® ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em municípios prioritários, conforme risco epidemiológico. A ampliação gradativa para outras faixas etárias depende da disponibilidade e da avaliação regional. Mesmo vacinados devem manter as medidas de controle do vetor.

Referências

Ministério da Saúde. Atualização de Casos de Arboviroses. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aedes-aegypti/monitoramento-das-arboviroses. Acesso em: 4/12/2025.

Organização Mundial da Saúde (OMS). Dengue. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/dengue-and-severe-dengue. Acesso em: 4/12/2025.

Pan American Health Organization (PAHO). Pan American Health Organization (PAHO). Epidemiological Update: Dengue in the Americas, March 2025. Disponível em: https://www.paho.org/en/documents/dengue-epidemiological-situation-region-americas-epidemiological-week-45-2025. Acesso em: 4/12/2025

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