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O que é a hipertensão arterial

A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, é uma doença crônica do sistema cardiovascular caracterizada pela elevação persistente da pressão do sangue nas artérias. Quando essa pressão se mantém alta por longos períodos, o coração precisa trabalhar mais para bombear o sangue, o que pode causar danos aos vasos sanguíneos e a órgãos como o coração, o cérebro e os rins.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos vivem com hipertensão arterial no mundo, e cerca de 46% não sabem que têm a doença. No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que mais de 388 mortes por dia estão relacionadas a complicações da hipertensão — um dado que reforça a necessidade de prevenção e acompanhamento regular, medidas simples que podem salvar vidas.

Por ser uma doença silenciosa, muitas pessoas só descobrem que têm hipertensão após sofrerem complicações. Entender o que é a hipertensão arterial, suas causas, sintomas, diagnóstico e formas de tratamento é o primeiro passo para evitar problemas futuros e manter a saúde do coração em dia.

Como a pressão arterial funciona

A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias enquanto circula pelo corpo. Essa força é expressa por dois números:

  • pressão sistólica (máxima): ocorre quando o coração se contrai e bombeia o sangue;
  • pressão diastólica (mínima): registrada quando o coração relaxa entre um batimento e outro.

De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 2025, os valores considerados normais são inferiores a 120 mmHg (sistólica) e 80 mmHg (diastólica). A leitura de 12 por 8 (120/80 mmHg), que antes era vista como ideal, agora é classificada como pré-hipertensão, ou seja, um sinal de alerta para adoção de hábitos saudáveis e monitoramento médico periódico.

Quando a pressão arterial se mantém igual ou acima de 140/90 mmHg, considera-se um quadro de hipertensão arterial, que exige acompanhamento clínico e, muitas vezes, tratamento medicamentoso.

A aferição pode ser feita com tensiômetro manual (esfigmomanômetro e estetoscópio) ou com aparelhos automáticos de braço, desde que validados pelo Inmetro e pelo Ministério da Saúde. É importante que a medição seja feita corretamente — com o paciente em repouso e utilizando uma braçadeira adequada ao tamanho do braço.

Nota

Essa reclassificação tem caráter preventivo: o objetivo é identificar precocemente indivíduos em risco e incentivar mudanças de estilo de vida antes que o quadro evolua para a doença.

Causas e fatores de risco da hipertensão arterial

A hipertensão é uma condição multifatorial, ou seja, resulta da combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais.

Entre os principais fatores de risco estão:

  • Histórico familiar: pessoas com parentes hipertensos têm maior predisposição;
  • Envelhecimento: com o tempo, os vasos perdem elasticidade, aumentando naturalmente a pressão;
  • Sobrepeso e obesidade: o excesso de gordura corporal eleva o esforço cardíaco e dificulta a circulação;
  • Alimentação rica em sal e ultraprocessados: o sódio retém líquidos e aumenta o volume de sangue;
  • Sedentarismo: a falta de atividade física compromete a eficiência do sistema cardiovascular;
  • Tabagismo e álcool em excesso: ambos afetam diretamente os vasos sanguíneos e o coração;
  • Estresse crônico e sono inadequado: podem causar elevações temporárias e recorrentes da pressão arterial.

Em cerca de 90% dos casos, a hipertensão é primária (ou essencial) — sem uma causa única identificável. Nos demais, é secundária, decorrente de outras doenças (como insuficiência renal, apneia do sono, distúrbios hormonais) ou do uso de certos medicamentos.

O controle desses fatores é essencial para prevenir o desenvolvimento da doença e evitar que quadros limítrofes evoluam para hipertensão estabelecida.

Sinais e sintomas da hipertensão arterial

A maioria das pessoas com hipertensão não apresenta sintomas nas fases iniciais, o que torna o diagnóstico precoce um desafio. Quando a pressão sobe muito, alguns sinais podem aparecer, entre eles:

  • dor de cabeça forte e frequente;
  • tontura e sensação de desequilíbrio;
  • zumbido nos ouvidos;
  • visão turva;
  • palpitações e dor no peito;
  • falta de ar;
  • cansaço excessivo ou irritabilidade.

Esses sintomas geralmente surgem em situações de crise hipertensiva, quando a pressão ultrapassa 180/110 mmHg, e exigem atendimento médico imediato para evitar complicações como acidente vascular cerebral (AVC) e infarto do miocárdio.

Diagnóstico da hipertensão arterial

O diagnóstico é realizado por meio da avaliação clínica e da medição repetida da pressão arterial em diferentes momentos. Um único valor alto não confirma hipertensão — é preciso observar a constância da elevação.

Entre os exames complementares utilizados estão:

  • Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA): registra as variações da pressão ao longo de 24 horas, permitindo uma análise mais precisa do comportamento pressórico;
  • Exames laboratoriais: avaliam glicemia, colesterol, função renal e eletrólitos (sódio e potássio);
  • Eletrocardiograma e ecocardiograma: ajudam a identificar sobrecarga ou danos cardíacos.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico regular são fundamentais para evitar complicações e manter a pressão sob controle.

Tratamento e cuidados com a hipertensão arterial

O tratamento visa manter a pressão arterial dentro dos limites saudáveis, reduzindo o risco de complicações cardiovasculares e renais. Ele combina mudanças no estilo de vida com o uso de medicamentos anti-hipertensivos, quando necessário.

Mudanças de estilo de vida

  • Reduza o consumo de sal e alimentos industrializados;
  • Prefira alimentos frescos, ricos em potássio, magnésio e fibras;
  • Pratique atividade física regularmente (pelo menos 150 minutos semanais de exercício moderado);
  • Evite fumar e limite o consumo de álcool;
  • Mantenha o peso corporal saudável;
  • Durma bem e controle o estresse.

Essas medidas, quando adotadas de forma contínua, podem normalizar a pressão em muitos casos de pré-hipertensão e evitar o uso de medicamentos.

Tratamento medicamentoso

Quando a pressão permanece alta, o médico pode prescrever medicamentos, como diuréticos, inibidores da ECA, bloqueadores de canais de cálcio ou betabloqueadores.
A escolha é individualizada e depende de fatores como idade, comorbidades e resposta ao tratamento.

É essencial seguir as orientações médicas rigorosamente e não interromper o tratamento por conta própria. O controle periódico da pressão é indispensável para avaliar a eficácia do tratamento e prevenir complicações.

Consequências da hipertensão não controlada

Sem o devido controle, a hipertensão arterial pode causar danos sérios e irreversíveis. Entre as principais complicações estão:

  • AVC e infarto do miocárdio;
  • Insuficiência cardíaca e arritmias;
  • Doença renal crônica;
  • Aneurismas e lesões vasculares;
  • Comprometimento da visão e declínio cognitivo em longo prazo.

Esses riscos reforçam a importância do monitoramento constante e do cuidado preventivo, especialmente entre pessoas com histórico familiar da doença.

A importância do acompanhamento médico contínuo

Manter um relacionamento regular com o médico é fundamental para o controle da hipertensão. A aferição da pressão arterial deve ser parte dos exames de rotina, mesmo para quem se sente bem.

Campanhas como o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado em 26 de abril, lembram a todos que a prevenção e o autocuidado são as melhores estratégias para evitar complicações graves.

Veja também: Como cuidar da saúde do coração

Referências

Sociedade Brasileira de Cardiologia; Sociedade Brasileira de Nefrologia; Sociedade Brasileira de Hipertensão. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025.Disponível em: https://abccardiol.org/article/diretriz-brasileira-de-hipertensao-arterial-2025/. Acesso em: 17/10/2025.

Ministério da Saúde. Hipertensão. Disponível em:https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hipertensao

World Health Organization (WHO). Hypertension. Disponível em:https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/hypertension

Oparil S, Acelajado MC, Bakris GL, Berlowitz DR, Cífková R, Dominiczak AF, Grassi G, Jordan J, Poulter NR, Rodgers A, Whelton PK. Hypertension. Nat Rev Dis Primers. 2018 Mar 22;4:18014. doi: 10.1038/nrdp.2018.14

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